quarta-feira, junho 03, 2009

Walter Bandeira


Esse é um capítulo a parte na história da música paraense. Acho que ele é um divisor de águas. Irreverente e visceral em suas interpretações, Walter fez uma escola nessa cidade. Cantor de timbre grave belíssimo, mas que também passeava entre os agudos,médios e tudo mais que aparecesse. Começou sua carreira nos anos sessenta, mas foi nos anos setenta, que se consagrou para o grande público da cidade, cantando em clubes e gravando seus primeiros LPs, como Crooner e parceiro de Guilherme Coutinho. Nos anos 80 começou a se apresentar ao lado do excelente Grupo Gema(Sagica de bateria, Kzan Gama de baixo, Dadadá de percussão,Bob Freitas de guitarra e Nêgo Nélson ao violão)e ai se consagrou de vez em shows memoráveis nos bares e teatros da cidade. Conheci Walter Bandeira na segunda metade dos anos setenta. Garoto, sonhava com uma carreira artística e ele se tornou meu grande ídolo, meu espelho. Anonimamente eu o seguia por todos os cantos da cidade, "colando" seu repertório e suas interpretações.rsrsrs!
Depois que iniciei minha carreira profissional nos tornamos amigos e parceiros de palco. Gravamos juntos pela primeira vez nos anos 80, não lembro exatamente quando, acho que em 87. Era uma gravação do "AFOXÉ DO GUARDA XUVA AXADO" de Cássio Lobato, Cláudio Lobato e Clélio Palheta, e fomos convidados Eu, Walter Bandeira e Elói Iglesias. A gravação foi lá no estúdio do português, um porão na Av.Quintino Bocaiúva. Essa música, fêz um sucesso enorme. Depois, a gravadora RJ, que estava se lançando no mercado no final de 1988, produziu um LP com cantores que se destacavam na noite naquele momento, dentre eles,Eu, Lucinha Bastos,Grupo Manga Verde,Jorge Silva, Nicinha e Suelene, Regina Ramos e Walter Bandeira, que gravou duas músicas minhas. Uma chamada "Bandeira", em parceria com Camilo Delduque, em homenagem a sua irreverência e seu estilo debochado e provocador, de enorme sucesso e obrigatório em seu repertório, onde o refrão dizia: "Sai de Baixo, sou muito macho, sou camaleão", e a outra "Fulgor" em parceria com Jorge Andrade. Só em 1991,Walter Bandeira lançou seu disco solo, o LP Clichê com músicas suas em parceria com Guilherme Coutinho, Pardal e Calibre e de outros compositores. Dentre essas, uma música minha chamada "Sou" em parceria com Márcio Guerra, um paulista que ficou seu amigo e fã, que escreveu os versos para ele próprio:"Sou tido e dado,Gilete afiada/ Amor não tem lado é tudo ou nada". Dai pra frente fizemos muitos shows, e sonhamos muitos projetos. Quem teve o prazer de conviver com ele e privar de sua intimidade, sabe que por trás daquele personagem irreverente, crítico, muitas vezes ácido, que não se negava um palavrão em qualquer lugar que estivesse, estivesse quem estivesse, tinha um ser humano maravilhoso, inteligente, culto, talentoso, multimídia e por fim, generossíssimo. Ontem, 02 de junho de 2009, aos 67 anos ele partiu e deixou um vazio e uma saudade enorme entre nós, mas em compensação o céu ficou em festa. Imagino um terreirão com direito a Ruy Barata, Edyr Proença, Chico Sena, Ruy Baldez, Zeca De Campos Ribeiro, Álvaro Ribeiro, Sam, Aldemir Ferreira da Silva, Chembra, Guilherme Coutinho, Guiães de Barros, Totó, Vidinho, Zé Bastos, Zé Serra e outros que já estão na festa há muito tempo.rsrs!

2 comentários:

Matheus Benassuly disse...

Fala Pedrinho!

Muito bom lembrar de Walter: a voz, o ser humano, o mito que foi Walter Bandeira.
Escrevi tb sobre ele no meu blog.
Dá um olho: contraotempo.blogspot.com

Aquele abraço!

Anônimo disse...

Hey, I am checking this blog using the phone and this appears to be kind of odd. Thought you'd wish to know. This is a great write-up nevertheless, did not mess that up.

- David