quarta-feira, março 31, 2010

Valeu, Vavá da matinha!



É com muito pesar que anuncio a morte do grande Oswaldo Oliveira, o Vavá da Matinha. Tive a oportunidade de conhecer o Vavá em 2000, quando estava produzindo o CD “Nosso Cantar Paid’Égua” em comemoração aos 50 anos da Y.Yamada. Esse CD era uma pequena mostra da música paraense em suas várias vertentes da MPB ao Brega. Uma das faixas era um pout-pourri de músicas românticas antológicas, que ficaram na memória dos paraenses. Chamei o Joba que magistralmente interpretou 3 músicas: Sinceramente(Milton Yamada), Poema de Amor( Wilson Fonseca) e Só Castigo( Oswaldo Oliveira). Então fui descobrir que o Vavá estava novamente no Pará, morando em Castanhal. Pronto! Foi uma festa conhecê-lo. Ele era muito engraçado e ouvir suas histórias era de um prazer enorme, pois ele pertenceu ao casting de artistas da Continental, depois da CBS e chegou a desbancar até o rei Roberto Carlos em vendas numa época de sua vida. Ele foi um dos poucos paraenses que teve realmente, sucesso nacional. De lá pra cá encontrei várias vezes com ele e chegamos a trabalhar juntos em algumas oportunidades. O Vavá foi um dos pioneiros do brega paraense e abriu caminho para muitos, inclusive para a banda Calypso, por ser uma pessoa muito bem relacionada no meio.
Valeu Vavá!
Um abraço do seu amigo
Pedrinho Cavalléro



Vavá da Matinha: abre-ales do brega paraense
Ele sempre se auto-intitulou “um paraense autêntico”, desses que amam e exaltam a beleza de sua terra natal, mesmo estando distante dela. Esteve ao lado de grandes nomes da música nacional e, em 1972, chegou a superar o rei Roberto Carlos em vendas de discos, nas regiões Norte e Nordeste. Dada a dica e se você pensou e respondeu Osvaldo Oliveira ou, simplesmente, Vavá da Matinha, está certíssimo. Mas, se nunca ouviu falar desse grande artista, não caia no desânimo. Você vai conhecer, nessas linhas, um dos precursores da música brega paraense e o responsável por abrir o caminho do sucesso para tantos cantores e bandas conhecidas, como a Calypso, por exemplo.

Cantor e compositor, Vavá da Matinha (apelido dado pelo amigo e saudoso radialista Eloy Santos), começou a carreira cantando em programas de auditório da Rádio Clube do Pará, no final da década de 1950. Daí ganhou notoriedade e o Brasil. Era considerado o Jackson do Pandeiro do Pará, só que seus ritmos tinham um balanço diferente de qualquer influência baiana ou carioca. Mais uma prova de sua autenticidade musical, presente em canções cheias de referências às coisas da terra, às crenças, às comidas, ao Ver-o-Peso e ao bairro onde nasceu, a Matinha, hoje bairro de Fátima. “Pará e Bahia”, “A Beleza da Rua” e “O Canto do Galo” são algumas das obras bairristas dele que fizeram grande sucesso. “Gravei pelo menos 64 músicas exaltando o Pará e acho que talvez tenha sido o cantor que mais falou desse Estado em suas canções. Enquanto baianos como Dorival Caymmi exaltam a Bahia, eu exalto o Pará. Morro defendendo o meu Estado”, disse em entrevista há três anos para a TV Cultura. Aliás, um de seus últimos depoimentos gravados, desde que fixou residência em Fortaleza. Vavá da Matinha só voltou a aparecer na imprensa recentemente, devido ao seu estado de saúde debilitado. Vavá começou sua carreira cantando forró, mas foi com o bolero (uma espécie de embrião do brega) que ganhou fama nos anos de 1970. Vendeu muitos discos, foi o primeiro cantor a gravar um merengue com letra (“A Deusa do Mercado São José”) e teve muitas de suas composições gravadas por gente como Jackson do Pandeiro, Bezerra da Silva e o forrozeiro Abdias.

O primeiro registro musical do artista aconteceu em 1960, com a gravação de duas músicas numa coletânea da gravadora Continental. No ano seguinte, gravou um disco “compacto” e o primeiro LP “Eternas lembranças do Norte”, com quatro composições e a maioria das músicas no ritmo do forró. A propósito, o cenário musical da época evidenciava artistas como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro e Vavá fazia parte disso. Ele também esteve na caravana do forró percorrendo o Brasil, juntamente com Marinês, Messias Holanda, Trio Nordestino e outros.

Na sequência, vieram mais três LPs pela gravadora CBS. Mas foi em 1972 que Vavá da Matinha estourou de vez. A música “Só castigo”, do disco de boleros com o mesmo título, fez o cantor ultrapassar em vendas Roberto Carlos, nas regiões Norte e Nordeste. O sucesso foi tamanho que abriu caminho para outros bregueiros que se tornariam verdadeiras estrelas, como o pernambucano Reginaldo Rossi.

A trajetória de Vavá seguiu adiante na década de 1970, com o lançamento de vários discos de bolero, mas começou a estancar e cair no ostracismo a partir dos anos de 1980. O artista se refugiou em Castanhal e depois Fortaleza, vindo a Belém esporadicamente. Atualmente, faz tratamento na capital paraense, onde se recupera de um AVC. Sem empresário e sem recursos, antes de adoecer, Vavá aceitava realizar shows por cachês não dignos para sua grandeza musical.



Vavá por outros artistas

“Vez ou outra um fã tenta trazê-lo à atmosfera. Um CD com músicas dele, coordenado pelo maestro Manoel Cordeiro, um dos fundadores da banda Warilow, foi gravado há alguns anos. Gente da música como Dudu Neves, Almino Henrique e o próprio Quaderna, por volta de 2007, tentaram trazê-lo de volta. Creio que ele seja um dos mais notáveis de nossa música, pois teve grandiosa projeção nacional entre as décadas de 60 e 70. Não lembro de muitos artistas paraenses que tiveram essa caminhada. Posso contar nos dedos: Billy Blanco, Waldemar Henrique, Ary Lobo, Fafá de Belém, Jane Duboc, Banda Calypso, Beto Barbosa, entre poucos. Assim, a importância do Osvaldo é inquestionável. Ele é um grande compositor e um dos referenciais no merengue brasileiro; quem primeiro gravou o estilo, cantando. O Vavá é um cara que tem seu dedo na trajetória de nossa música”.

Allan Carvalho, cantor e compositor do grupo Quaderna
“A forma singela e inocente de compor fez do Vavá um dos ícones desta música mais popular que criteriosamente seria uma crônica urbana e, agregado ao fato de que os primeiros a criarem sempre serão os verdadeiros precursores, este mérito o torna ainda mais autêntico. A obra dele é algo personificado, sem copiar absolutamente ninguém. Temos a certeza do artista presente com a sua criação mais original e mais digna. O que falta para mantermos em evidência nomes importantes para nossa música? O respeito de quem de direito pela cultura, sobretudo do criar, e estabelecer como paradigma a competência e o valor, que pode ser encontrado em obras rebuscadas, perfeitas e também em admiráveis simples canções”.

Alcyr Guimarães, cantor e compositor



Por que se orgulhar?

Vavá da Matinha é um dos precursores da música brega no Pará. No auge de sua carreira, na década de 1970, chegou a superar o rei Roberto Carlos em vendas de discos nas regiões Norte e Nordeste. Compositor apaixonado pela terra natal, gravou pelo menos 64 músicas dedicados ao Estado e teve diversas outras obras gravadas por grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Jackson do Pandeiro e Bezerra da Silva.

Matéria do "Diário do Pará".

3 comentários:

wagner disse...

..quero lembrar minha infância, chorar de alegria quando meu pai me abraçar e pegar uma canoa no rio Apeú pra com a turma pescar..(Irei a Belém). Coitado daquele que esquece da sua cultura da sua história, aprendia escutar Vavá com meu pai e espero passar pra meus filhos. Abraço!

Witalon Neuton disse...

o meu pai foi um grande imtepreti da musica paraence meu orgulho mais depois de sua morte a familia ficou na mizeria o estado do para nao reconheceu seu trabalho de tantos anos forao feitas mais de 65 musicas ezaltando o para e nada disso foi reconhessido hoje moramos em fortaleza onde ele rezidil seus utimos diais di vida depois foi para resolver problemas finaseiros em belem e ai em belem sua terra natal ficou meu pai meu rei ficamos sem nada nao era o jeito qui ele achava qui iamos ficar espero qui alguem veja esse comentario e entre em contato comigo qui sou a filha mais velha dele anawalda oliveira meu contato 03185 89733595 86632401

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